Sábado
Ele partiu com um objetivo claro. Havia uma montanha distante e a promessa de que, do topo, tudo faria sentido.
Durante anos caminhou com disciplina. Resistiu ao frio, ao calor, à dúvida. Repetia para si mesmo que, ao chegar, encontraria respostas.
Mas no meio do percurso começou a esquecer por que havia partido. A montanha ainda estava lá, mas o motivo já não era o mesmo.
Sentou-se à beira do caminho e observou outros viajantes. Alguns carregavam mapas antigos. Outros nem sabiam o destino. E, ainda assim, seguiam.
Foi ali que compreendeu: talvez a montanha nunca tenha sido o ponto final. Talvez a jornada não fosse sobre alcançar, mas sobre transformar-se enquanto caminha.
Ele se levantou. Não para chegar mais rápido. Mas para continuar, agora com menos pressa e mais consciência.
Nem toda busca termina com uma resposta. Algumas terminam com maturidade.