Segunda-feira
Ele dizia “está tudo bem” com facilidade.
Quando perguntavam, respondia automaticamente. Quando algo incomodava, diminuía. Quando doía, silenciava.
Não era mentira completa. Era adaptação.
Aprendeu cedo que não podia pesar o ambiente. Que precisava ser estável, previsível, tranquilo. Então ajustou suas respostas para caber nos espaços onde estava.
Com o tempo, passou a acreditar no próprio discurso. Ou, pelo menos, parou de questionar.
Mas o corpo não esquece o que a boca evita.
Vieram os cansaços sem explicação. A irritação em momentos pequenos. Uma sensação constante de estar distante de si mesmo.
Até que, um dia, alguém perguntou de novo:
“Você está bem?”
E, pela primeira vez, ele demorou para responder.
Porque percebeu que não sabia mais o que “bem” significava para ele.
Naquele silêncio, algo começou a mudar.
Nem sempre é preciso ter uma resposta bonita.
Às vezes, o começo mais honesto é admitir:
“Eu não sei.”