O Dia em que Ele Parou de Fugir de Si

Sábado

Ele não percebia, mas estava sempre em movimento.

Não necessariamente físico. Mas interno.

Sempre buscando algo novo. Uma nova meta, um novo ambiente, uma nova distração, uma nova fase.

Qualquer coisa que o afastasse de um encontro mais profundo consigo mesmo.

Era sutil.

Parecia evolução. Parecia busca. Parecia crescimento.

Mas havia uma camada abaixo disso tudo.

Fuga.

Fuga do silêncio. Fuga das perguntas sem resposta. Fuga das partes que ainda não estavam resolvidas.

Até que um dia, sem planejamento, ele não conseguiu mais correr.

Nada externo aconteceu.

Mas internamente, algo parou.

E pela primeira vez, ele ficou.

Sem distração. Sem objetivo imediato. Sem fuga.

E o que encontrou não foi caos.

Foi presença.

Desconfortável no início. Mas real.

Porque fugir de si pode manter a vida em movimento.

Mas só parar permite que ela faça sentido.