O Homem que Esperava um Sinal

Segunda-feira

Durante anos, ele esperou um sinal.
Um momento claro, definitivo, inconfundível. Algo que dissesse com certeza: “Agora é a hora.”
Enquanto isso, adiava decisões. Não porque não soubesse o que queria, mas porque não sentia segurança suficiente para agir. Sempre faltava algo, mais certeza, mais estabilidade, mais garantia de que daria certo.
Via outras pessoas avançando e pensava que elas tinham recebido esse sinal. Algo que ele ainda não havia encontrado.
Então continuava esperando.
Os dias passaram. Depois meses. Depois anos.
Algumas oportunidades simplesmente deixaram de existir. Outras mudaram de forma. Algumas pessoas seguiram caminhos diferentes.
E o sinal… nunca veio.
Até que, em um momento silencioso, quase sem perceber, ele entendeu algo desconcertante:
O sinal nunca viria de fora.
Nunca existiu uma confirmação absoluta. Nunca existiu um momento perfeito. O que existia era apenas a disposição de agir mesmo sem ter todas as respostas.
Foi estranho perceber isso.
Porque significava que ele não estava esperando o tempo certo.
Estava esperando não sentir medo.
E esse dia não chega.