Quarta-feira
Ele tinha um padrão que demorou anos para perceber.
Sempre que algo começava a ficar sério — um trabalho que exigia mais responsabilidade, uma relação que pedia mais entrega, um projeto que começava a dar certo — ele saía.
Nunca de forma abrupta.
Sempre com justificativas razoáveis. Cansaço. Mudança de planos. Falta de alinhamento.
Para quem via de fora, parecia alguém em constante busca.
Mas, por dentro, havia outra dinâmica.
Ele não saía porque não dava certo.
Saía porque começava a dar.
Porque dar certo exigia permanecer. E permanecer exigia exposição. E exposição trazia a possibilidade de falhar de verdade, não apenas em tentativas.
Foi só quando percebeu o padrão repetido que entendeu:
Não era medo de errar.
Era medo de descobrir até onde poderia ir — e o que isso exigiria dele.
Nem todo abandono vem da falta de interesse.
Alguns vêm do medo de sustentar o próprio potencial.