Segunda-feira
Era tarde quando ele decidiu escrever.
Não havia um motivo único. Era um acúmulo. Pequenas coisas que ficaram sem resposta, momentos mal resolvidos, uma saudade que ele nunca admitiu em voz alta.
Abriu a conversa antiga. O nome ainda estava ali.
Ficou alguns minutos olhando a tela em branco antes de começar. Digitou devagar, como se cada palavra precisasse atravessar algo antes de aparecer.
Não escreveu um texto longo. Escreveu o suficiente. Um pedido de conversa. Um reconhecimento silencioso de que talvez tivesse se afastado mais do que deveria.
Leu. Releu.
O dedo pairou sobre o botão de enviar.
E então, como tantas outras vezes, apagou tudo.
Disse a si mesmo que não valia a pena. Que já tinha passado tempo demais. Que talvez fosse melhor deixar como estava.
Guardou o celular.
Naquela noite, dormiu com a sensação de que havia evitado algo.
Dias depois, soube que não havia mais tempo.
Não houve aviso. Não houve última oportunidade. Apenas a constatação silenciosa de que aquela mensagem nunca mais poderia ser enviada.
O que mais pesou não foi o silêncio do outro lado.
Foi o silêncio que ele escolheu manter.