Quarta-feira
Durante toda a cerimônia, ele permaneceu firme.
Enquanto outros choravam, se abraçavam, deixavam a dor aparecer, ele mantinha a postura. Cumprimentava pessoas, agradecia presenças, organizava detalhes.
Alguém precisava ser forte.
Ele repetia isso para si mesmo.
Nos dias seguintes, continuou ocupado. Resolveu papéis, tomou decisões, cuidou do que precisava ser feito. A vida seguiu com eficiência.
Mas havia algo estranho.
Era como se tudo estivesse levemente distante. As cores menos intensas. Os sons abafados. As emoções… suspensas.
Meses se passaram.
Até que, em um momento completamente comum — sozinho, sem motivo aparente — o choro veio.
Não organizado. Não contido. Não explicado.
Veio inteiro.
Não era apenas pela perda recente. Era por tudo o que ele não havia permitido sentir naquele dia.
Porque a dor não desaparece quando é adiada.
Ela apenas espera.
E quando encontra espaço, ela não pede licença.