Análise: Inter trava em gramado ruim, mas também sofre por erros próprios em derrota

Colorado enfrenta dificuldades além das más condições do campo e perde para o Juventude no jogo de ida da semifinal do Gauchão

Por Eduardo Deconto — Bento Gonçalves, RS

Veja os melhores momentos de Juventude 1x0 Inter pela semifinal do Gauchão
Veja os melhores momentos de Juventude 1×0 Inter pela semifinal do Gauchão

Bastava um mísero passe de alguns poucos metros para perceber: a bola mais quicaria do que rolaria na grama da Montanha dos Vinhedos neste domingo, durante o jogo de ida da semifinal do Gauchão entre Juventude e Inter. Como de fato aconteceu. Os 132 passes incompletos registrados pela central de estatísticas da Globo atestam.

O gramado castigado e irregular dificultou toda e qualquer ação ao longo dos 90 minutos da partida em Bento Gonçalves. Mas é verdade também que o Inter viveu uma atuação no mesmo nível das condições do campo na derrota por 1 a 0.

Nas entrevistas após o tropeço, Miguel Ángel Ramírez e Yuri Alberto criticaram – com razão – o estado do gramado. Afirmaram – também com razão – que as condições de jogo impactaram o rendimento da equipe e são fator a levar em conta na análise.

O Inter, porém, sofreu não só pelo campo, mas por erros e falta de soluções às dificuldades impostas pelo Juventude. Tanto que o gramado, de tão irregular, “ajudou” o Colorado a escapar de um resultado pior.

Campo apresenta grama rala e amarelada na Montanha dos Vinhedos — Foto: Wesley Santos / Agência PressDigital
Campo apresenta grama rala e amarelada na Montanha dos Vinhedos — Foto: Wesley Santos / Agência PressDigital

Aos quatro minutos do segundo tempo, Marcos Vinicios saiu livre e em velocidade às costas da defesa colorada. Tinha campo aberto para invadir a área e sair na cara de Marcelo Lomba. Mas a bola quicou no gramado, bateu em suas canelas e ficou à feição do goleiro colorado (veja abaixo).

Guarde bem este lance, porque ele se repetiu para decretar a derrota colorada. Mas antes é preciso falar das dificuldades do Inter sempre que teve a bola na Montanha dos Vinhedos.

Em um gramado no qual trocar passes era missão tortuosa, o Colorado não conseguiu impor seu jogo – também freado pela marcação de um Juventude que recheou o meio-campo para fechar espaços. Tampouco foi eficiente nas alternativas tentadas para superar as dificuldades e criar chances de gol.

Marcos Vinicios não consegue finalizar, e Lomba defende, aos 4' do 2ºT
Marcos Vinicios não consegue finalizar, e Lomba defende, aos 4′ do 2ºT

Progredir no campo criando vantagens a partir da troca de passes se provou missão impossível. A engrenagem tão ensaiada por Ramírez em 10 jogos e dois meses de trabalho não funcionou. E as bolas longas também não surtiram efeito para municiar Yuri Alberto, isolado em um deserto no ataque colorado.

Não à toa, o Inter só foi chutar uma bola na direção do gol para obrigar Marcelo Carné a fazer a sua única defesa do jogo aos 24 do segundo tempo, com Praxedes. Ao todo, foram 11 finalizações contra cinco do Juventude, com um total de 63% de posse de bola colorada.

Números do jogo

  • Posse de bola: Juventude 37% x 63% Inter
  • Finalizações: Juventude 5 x 11 Inter
  • Escanteios: Juventude 2 x 8 Inter
  • Passes certos: Juventude 166 x 377 Inter
  • Passes incompletos: Juventude 58 x 74 Inter
  • Percentual de acerto de passes: Juventude 73,7% x 83,5% Inter

Além disso, o percentual de acerto de passes ficou bem abaixo dos 90%, com direito a 132 incompletos, de acordo com as estatísticas da Globo. O Juventude foi responsável por 58 deste total, e o Inter, 74.

A equipe teve dificuldades, e as soluções tentadas por Ramírez as aprofundaram. Em suas primeiras duas trocas, o treinador sacou Edenílson e Lucas Ribeiro para as entradas de Nonato e Rodrigo Lindoso. Recuou Rodrigo Dourado para ser zagueiro.

Depois, escolheu Praxedes para substituir Patrick. Um jogador talhado para trocar passes e pensar o jogo em um gramado esburacado. Em vez de uma opção de velocidade para tentar romper linhas e atacar a profundidade, como Caio Vidal, que só entraria mais tarde, com Thiago Galhardo, quase no apagar das luzes.

Gol do Juventude! Marcos Vinicios abre o placar aos 26' do 2ºT
Gol do Juventude! Marcos Vinicios abre o placar aos 26′ do 2ºT

Mas a mudança na defesa foi a que se provou fatal. Em um erro de saída de bola, coube a Dourado – um jogador não acostumado a este tipo de cobertura – correr atrás de Marcos Vinicios. O atacante partiu de trás de Heitor – que também falhou no lance – e saiu livre para aproveitar uma ligação direta e marcar o gol da partida.

E decretar a derrota colorada. Uma derrota que não merece análises definidoras sobre o trabalho de Miguel Ángel Ramírez, dadas as condições do gramado. Mas que ocorreu também por erros, não só pelo campo.

Nesse tipo de gramado é muito difícil jogar o que queremos. O passe não é rápido. O controle no primeiro contato se levanta. Os cruzamentos não acontecem direito. O remate de primeira em um gramado bom seria capaz de executar. Como estava hoje, é complicado para criar, controlar.

— Miguel Ángel Ramírez

Com a derrota, o Inter precisa vencer o Juventude por dois gols de diferença para avançar à final do Gauchão. Uma vitória por 1 a 0 leva a decisão aos pênaltis.

As duas equipes voltam a se enfrentar às 19h do próximo sábado, no Beira-Rio. Antes, o Inter recebe o Olimpia em casa, na quarta-feira, às 21h, pela Libertadores.

Link da Notícia: https://globoesporte.globo.com/rs/futebol/times/internacional/noticia/analise-inter-trava-em-gramado-ruim-mas-tambem-sofre-por-erros-proprios-em-derrota.ghtml

Fonte/Reprodução: GloboEsporte.Com

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