Quinta-feira
No centro de uma praça antiga havia um relógio que funcionava de maneira peculiar. Às vezes marcava o tempo corretamente. Outras vezes, simplesmente parava.
A cidade tentou consertá-lo inúmeras vezes. Técnicos subiam, ajustavam engrenagens, trocavam peças. Ainda assim, ele insistia em interromper o movimento.
Com o passar dos anos, as pessoas deixaram de consultá-lo para saber as horas. Passaram a usá-lo como referência de encontro. “Nos vemos sob o relógio”, diziam.
O relógio nunca foi confiável para medir minutos, mas tornou-se essencial para reunir pessoas.
Nem tudo precisa cumprir a função para a qual foi criado para ter valor.
Há existências que não seguem o ritmo esperado — e ainda assim sustentam encontros.