Quarta-feira
Num terreno esquecido da cidade, havia um jardim que ninguém via florescer. Durante o dia, parecia comum. Folhas discretas, galhos simples, nada que chamasse atenção.
Mas à noite, quando as luzes das casas se apagavam, as flores se abriam. Perfume intenso, cores profundas, pétalas que só suportavam a escuridão.
Poucos sabiam disso. Quem dormia cedo jamais suspeitava. Quem temia a noite nunca testemunhava o espetáculo.
O jardim não se incomodava com a falta de aplausos. Florescia quando podia, no ambiente que o sustentava.
Há pessoas assim. Não brilham sob todos os olhares. Não se adaptam a qualquer luz. Mas encontram sua plenitude em circunstâncias que outros evitam.
Nem todo florescimento acontece sob o sol.