Quarta-feira
Ele acreditava no timing perfeito.
A hora certa de começar, de falar, de mudar, de decidir.
Nada podia ser precipitado. Tudo precisava de alinhamento.
Então ele esperava.
Ajustava detalhes. Refinava planos. Observava cenários.
E enquanto preparava o momento ideal, o tempo real passava.
Outras pessoas começavam antes. Erravam. Aprendiam. Ajustavam no caminho.
Ele continuava esperando.
Até que percebeu algo incômodo:
O momento certo não estava chegando.
Porque ele não era um ponto fixo no tempo.
Era algo que se construía no movimento.
Esperar perfeição era apenas uma forma sofisticada de evitar o risco.
E risco, ele entendeu tarde, não é o oposto de segurança.
É parte dela.