O Homem que Guardava Tempestades

Quarta-feira

Ele acreditava que precisava ser forte o tempo todo. Engolia frustrações, adiava lágrimas, acumulava decepções como quem armazena água em um reservatório fechado.

Por fora, parecia calmo. Por dentro, nuvens se formavam.

Um dia, a barragem cedeu. Não foi bonito, nem controlado. Foi intenso, desorganizado, humano.

Depois da tempestade, veio algo inesperado: alívio. O céu não ficou permanentemente cinza. Ficou limpo.

Emoções não expressas não desaparecem — apenas se acumulam.

Hoje, permita-se sentir antes que o peso precise explodir. Chorar também é uma forma de limpeza.