Terça-feira
Todas as noites, antes de dormir, ele tinha o mesmo hábito: sentava-se em silêncio e revisava o dia.
Não as tarefas cumpridas. Não os erros aparentes. Mas os pequenos momentos em que sentiu que poderia ter sido mais verdadeiro.
Lembrava da resposta automática que deu em vez da resposta honesta. Do sorriso oferecido quando estava cansado demais. Do silêncio mantido quando talvez devesse ter falado.
No início, esses encontros internos eram desconfortáveis. Era mais fácil se distrair, fingir que o dia simplesmente havia passado.
Mas com o tempo, algo mudou.
Aquela conversa interna deixou de ser julgamento. Tornou-se alinhamento.
Ele começou a perceber que a consciência não gritava. Ela apenas repetia, com paciência, aquilo que ele já sabia.
E quanto mais ele escutava, menos precisava corrigir depois.
A consciência raramente exige perfeição. Ela apenas pede coerência.
E talvez a paz interna seja apenas isso: a distância cada vez menor entre quem você é e quem você sabe que poderia ser.