Sexta-feira
No alto de um penhasco, um farol iluminava o oceano todas as noites. Sua luz era forte e constante, visível a grandes distâncias.
Curiosamente, o farol quase nunca via o mar tranquilo.
Sempre que tempestades surgiam, sua luz era essencial para guiar embarcações. Mas nos dias de calmaria, poucos navios passavam por ali.
Durante muito tempo, o farol acreditou que sua existência estava ligada apenas às noites difíceis.
Até perceber algo importante.
Mesmo quando o mar parecia vazio, sua luz continuava ali. Invisível para alguns, mas potencialmente salvadora para quem surgisse na escuridão.
Nem toda utilidade precisa ser visível para existir.
Há presenças no mundo que permanecem firmes, mesmo quando ninguém parece precisar delas naquele instante.
E, quando a tempestade chega, tornam-se indispensáveis.