Quinta-feira
Diziam que em algum lugar do mundo existia uma biblioteca diferente de todas as outras.
Ali não havia livros sobre o passado, nem registros históricos, nem histórias já vividas. Cada livro representava uma vida possível que alguém poderia ter vivido.
Havia volumes dedicados a escolhas nunca feitas: caminhos profissionais abandonados, cidades onde alguém pensou em morar, relações que quase começaram.
Quem caminhava entre as estantes sentia uma mistura de curiosidade e melancolia.
Era tentador abrir um livro e imaginar como seria aquela outra versão da própria existência.
Alguns ficavam horas lendo possibilidades. Descobriam futuros que poderiam ter sido felizes, outros que talvez fossem mais difíceis, alguns surpreendentemente parecidos com o que já viviam.
Mas havia uma regra silenciosa naquela biblioteca: nenhum livro podia ser levado para fora.
Eles existiam apenas para lembrar algo essencial.
Cada vida humana é feita tanto das escolhas que foram feitas quanto das que ficaram para trás. E tentar viver todas ao mesmo tempo seria impossível.
O verdadeiro valor de uma vida não está em quantas possibilidades ela contém, mas em quanta presença existe na que foi escolhida.