Sábado
Por muito tempo, ele continuou sendo fiel a uma versão antiga de si mesmo.
Não porque ainda se reconhecesse nela, mas porque os outros a conheciam.
Era cansativo mudar quando tanta gente ainda esperava a pessoa que você costumava ser.
Então ele sustentava hábitos que já não faziam sentido. Opiniões que haviam amadurecido. Ritmos que já não combinavam com sua realidade interna.
Parecia lealdade.
Mas, aos poucos, começou a perceber que estava praticando outra coisa: abandono de si.
A mudança não veio como grande ruptura.
Veio em pequenas recusas. Pequenas honestidades. Pequenos “isso já não me representa”.
Algumas pessoas estranharam. Outras se afastaram.
Mas algo dentro dele ficou mais silenciosamente alinhado.
Porque existe um momento da vida em que continuar sendo quem você era exige mais esforço do que assumir quem você se tornou.
E, embora isso assuste, também liberta.