Quinta-feira
Havia um lugar pequeno, discreto, quase impossível de encontrar por acaso.
Quem entrava ali percebia algo incomum logo nos primeiros minutos: ninguém parecia estar tentando impressionar ninguém.
As pessoas falavam devagar. Admitiam dúvidas sem constrangimento. Diziam “não sei” sem vergonha.
No começo, aquilo causava estranhamento.
Muitos estavam acostumados a ambientes onde era preciso parecer forte, interessante, bem resolvido.
Ali, não.
Ali, era permitido estar cansado sem transformar cansaço em performance. Era permitido não ter respostas prontas. Era permitido não estar inteiro todos os dias.
Alguns visitantes se sentiam desconfortáveis.
Outros choravam sem entender exatamente por quê.
Talvez porque passavam tempo demais sustentando versões funcionais de si mesmos.
Talvez porque serem aceitos sem precisar provar nada era uma experiência rara demais.
Antes de ir embora, quase todos percebiam a mesma coisa:
O maior alívio da vida talvez não seja ser admirado.
Talvez seja poder baixar a guarda sem medo de perder pertencimento.