Segunda-feira
Ele quase nunca estava onde estava.
Enquanto tomava café, pensava na próxima semana. Enquanto trabalhava, imaginava o próximo problema. Enquanto descansava, sentia culpa pelo que ainda precisava resolver.
O presente, para ele, era apenas uma ponte estreita entre preocupações futuras.
Dizia a si mesmo que era responsabilidade. Planejamento. Visão de longo prazo.
E, em parte, era.
Mas também era medo.
Medo de diminuir o ritmo e perceber quantos momentos estavam passando sem serem realmente vividos.
Um dia, durante uma conversa simples, alguém parou no meio da frase e disse:
“Você está aqui?”
A pergunta pareceu estranha.
Porque ele estava fisicamente presente.
Mas não completamente.
Naquela noite, ficou pensando nisso. Quantas vezes havia atravessado dias inteiros sem realmente entrar neles? Quantas refeições sem sabor, quantas conversas pela metade, quantos amanheceres tratados como cenário e não como vida?
Não mudou de um dia para o outro.
Mas começou pequeno. Prestando atenção ao caminho até casa. Ao silêncio entre uma tarefa e outra. Ao próprio corpo quando estava cansado.
E descobriu algo que ninguém havia lhe explicado:
O futuro consome menos quando você finalmente aprende a habitar o agora.