A Porta que Ele Sempre Mantinha Entreaberta

Sexta-feira

Ele nunca fechava completamente.
Nem portas, nem ciclos, nem relações.
Sempre deixava algo aberto. Uma possibilidade. Uma saída. Um “e se”.
Dizia que era prudência. Que a vida podia mudar. Que não queria se prender.
Mas havia outra camada nisso.
Manter tudo entreaberto significava nunca se comprometer totalmente com nada.
E, sem perceber, ele vivia em transição constante.
Sem fim. Sem começo claro.
Até que, um dia, alguém fechou uma porta por ele.
Sem aviso. Sem negociação.
E foi desconcertante.
Porque ele percebeu que não estava acostumado com finais reais.
Mas também percebeu algo novo:
Fechar uma porta não destrói o que existiu.
Apenas dá forma ao que foi.