Sexta-feira
Havia um artesão conhecido pela qualidade do seu trabalho. Suas peças eram admiradas, compradas, elogiadas.
Mas ele nunca dizia que estavam prontas.
Sempre encontrava algo para melhorar. Um detalhe a ajustar. Uma imperfeição mínima.
Durante muito tempo, acreditou que isso era excelência. Até perceber que, em alguns casos, era medo.
Medo de entregar. Medo de ser julgado. Medo de descobrir se aquilo realmente era suficiente.
Um dia, um aprendiz perguntou:
"Como o senhor sabe quando uma obra está pronta?"
Ele demorou para responder.
Depois disse algo que levou anos para entender:
"Quando continuar mexendo já não melhora — apenas evita que eu tenha que mostrar."
Há um momento em que continuar preparando é apenas uma forma elegante de adiar a coragem.
Nem toda obra precisa ser perfeita.
Mas quase toda obra precisa ser entregue.