Quarta-feira
Em uma casa antiga havia um espelho diferente.
Quem olhava não via o passado. Nem exatamente o presente. Via traços sutis do que estava se tornando.
Pequenas marcas de amargura começavam a aparecer em quem alimentava ressentimento. Uma leveza diferente surgia em quem aprendia a deixar ir. O olhar ficava mais duro em quem desistia de confiar.
No início, as pessoas negavam. Diziam que era ilusão. Que era apenas imaginação.
Mas com o tempo, ficava impossível ignorar.
O espelho não julgava. Apenas mostrava a direção invisível das escolhas repetidas.
Porque o caráter raramente muda de repente. Ele se forma em pequenas decisões quase invisíveis: a resposta que você escolhe dar, a paciência que você decide ter, o ressentimento que você decide alimentar ou soltar.
Todos nós estamos nos tornando alguém.
A verdadeira pergunta talvez não seja quem você foi, nem quem você é hoje.
Mas quem suas escolhas silenciosas estão construindo.