Quinta-feira
Ele sempre dizia que estava em busca de algo. Um lugar melhor, um sentido maior, uma resposta definitiva.
Caminhava muito. Mudava de rota frequentemente. Sempre havia um novo destino no horizonte.
Mas, curiosamente, quando chegava perto de qualquer lugar que pudesse realmente se tornar casa, algo acontecia. Ele encontrava um motivo para seguir adiante.
Dizia que ainda não era o lugar certo. Que precisava continuar procurando.
Só muito tempo depois percebeu a verdade que evitava: não tinha medo de não encontrar. Tinha medo de encontrar e precisar permanecer.
Porque permanecer exige mais coragem do que procurar.
Buscar permite imaginar. Permanecer exige viver.
E talvez muitas buscas intermináveis não sejam sobre encontrar algo melhor — mas sobre evitar o compromisso de construir onde já é possível ficar.