O Lago que Guardava Ecos

Quarta-feira

No fundo de um vale cercado por montanhas havia um lago muito antigo. A superfície parecia tranquila, mas quem se aproximava e falava algo em voz alta percebia que o som retornava de maneira diferente.

Não era um eco comum.

O lago devolvia as palavras com outra tonalidade, como se tivessem sido filtradas pelo tempo.

Quem gritava com raiva ouvia o retorno mais pesado, mais áspero. Quem falava com carinho escutava algo mais suave, quase acolhedor.

As pessoas começaram a perceber que não era o lago que mudava as palavras — eram as próprias intenções escondidas nelas.

Por muito tempo, alguns tentaram enganar o lago. Diziam frases bonitas com o coração cheio de ressentimento. Mas o retorno sempre revelava a verdade.

Com o tempo, o lugar se tornou um espaço de reflexão.

Não porque o lago julgasse ninguém, mas porque ele devolvia exatamente aquilo que era lançado.

Aos poucos, quem passava por ali aprendia algo simples: as palavras nunca chegam ao mundo vazias. Elas carregam dentro delas a forma como foram pensadas.

E, cedo ou tarde, a vida encontra um jeito de devolvê-las.