Terça-feira
Em uma planície distante, alguém começou a construir uma torre. Não usava pedras comuns. Cada bloco era uma promessa feita ao longo da vida.
Promessas feitas a amigos, à família, a si mesmo. Promessas de mudança, de coragem, de presença, de amor.
No início, a torre cresceu rápido. Era fácil empilhar promessas quando o entusiasmo era grande. Cada nova decisão parecia firme, cada palavra parecia verdadeira.
Mas com o passar dos anos, algo começou a acontecer.
Algumas promessas não eram cumpridas. Outras eram esquecidas. Algumas eram substituídas por novas intenções.
A torre, que parecia sólida, começou a apresentar rachaduras. Certos blocos se desgastavam. Outros simplesmente desapareciam, deixando pequenos vazios na estrutura.
Durante muito tempo, a reação foi tentar esconder as falhas. Novas promessas eram colocadas sobre as antigas, como se a altura da torre pudesse compensar sua fragilidade.
Até que um dia, ao subir até o topo, ficou claro que a torre não precisava ser alta para ter valor. Precisava apenas ser verdadeira.
Então começou um trabalho diferente. Em vez de acrescentar mais blocos, passou-se a revisar os antigos. Alguns foram retirados. Outros foram reconstruídos com mais cuidado.
A torre ficou menor.
Mas também ficou mais firme.
E quem passava por ali percebia algo curioso: aquela construção não impressionava pela altura, mas pela estabilidade. Parecia resistir ao tempo.
Promessas, quando vividas, deixam de ser palavras e se transformam em alicerces.