Segunda-feira
Durante quase toda a vida, ele caminhou apenas com um mapa nas mãos. Não dava um passo sem antes conferir direções, distâncias, possibilidades. O mapa oferecia uma sensação constante de segurança. Enquanto estivesse ali, dobrado entre os dedos, tudo parecia sob controle.
Com o tempo, porém, algo começou a se perder. Ele atravessava caminhos, vilas e paisagens sem realmente vê-los. Passava por encontros importantes sem percebê-los. Seus olhos estavam sempre presos ao papel, nunca ao chão que pisava.
Certo dia, durante uma longa travessia, o vento rasgou o mapa em pedaços. O papel voou, irreconhecível. O pânico veio imediato. Ele parou no meio da estrada, sentou-se à beira do caminho e decidiu esperar. Esperar por ajuda, por alguém que dissesse o que fazer, por uma nova orientação.
Ninguém apareceu. O dia avançou, a noite chegou, e ele permaneceu ali, imóvel, sentindo pela primeira vez o desconforto de não saber.
Na manhã seguinte, sem alternativa, levantou-se. Começou a caminhar observando os sinais ao redor: o som da água indicando direção, as marcas no chão, o movimento das pessoas. Cada escolha exigia atenção, presença e coragem.
Quando finalmente chegou a um lugar diferente daquele que havia planejado, entendeu algo essencial: o mapa nunca foi o caminho. Era apenas uma tentativa de controle. A vida começa quando se aprende a caminhar atento, mesmo sem garantias.