Teste da linguinha: Prevenção para mamar, falar e viver melhor

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Desde 2014, é obrigatória a realização do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua em Bebê, conhecido também como o teste da linguinha. De acordo com as fonoaudiólogas do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, Laura Giacometti e Maria Cristina Lucateli, o teste tem como objetivo a identificação precoce da anquiloglossia, popularmente conhecida como língua presa, e seu potencial de interferência nas funções orofaciais do recém-nascido.

“Isso contribui para um diagnóstico correto e indicação de condutas assertivas evitando o desmame precoce ou baixo ganho de peso, que podem comprometer o desenvolvimento dos bebês”, pontuam.

No ano de 2019, 22,27% dos recém-nascidos no HSVP apresentaram algum tipo de alteração no frênulo lingual, compreendendo escores considerados duvidosos e alterados. Após o retorno ambulatorial para reavaliação, foi constatada interferência da mobilidade de língua em 25,58% dos pacientes, sendo estes encaminhados para liberação da mobilidade de língua. Ainda, 50,38% dos pacientes que retornaram para reavaliação receberam alta fonoaudiológica e 24,03% mantiveram acompanhamento do desenvolvimento da fala.

Conforme explicam as fonoaudiólogas, a língua é constituída por um conjunto de músculos e pelo frênulo lingual, uma túnica mucosa que conecta o assoalho da boca a região ventral da língua, permitindo a movimentação desta em várias direções, o que favorece a execução das funções de sugar, engolir, respirar, mastigar e falar.

“A não realização precoce do diagnóstico das alterações do frênulo lingual, pode comprometer essas funções”, ressaltam.

Assim, a atuação do fonoaudiólogo neste processo é fundamental, já que ele avalia se possui alteração no frênulo e se pode ou não interferir na mobilidade de língua, bem como no aleitamento materno.

“É importante lembrar que nem toda alteração precisa fazer o procedimento, em alguns casos em que são classificados como duvidosos, são feitos acompanhamentos da amamentação para verificar a real necessidade de intervenção cirúrgica”, pontuam. A realização do teste da linguinha, com precauções necessárias, contribui de maneira positiva para o desenvolvimento adequado do recém-nascido evitando desmame precoce e prejuízos nas funções orofaciais essenciais para alimentação e comunicação ao longo da vida.

Amamentação

As especialistas salientam que além da nutrição do bebê, a amamentação influencia diretamente no desenvolvimento das estruturas orofaciais. A alteração no frênulo lingual quando não identificada ou diagnosticada de maneira incorreta pode causar interferência nos movimentos da língua prejudicando funções de sucção, deglutição, mastigação respiração e fala, afetando diretamente o aleitamento materno com dificuldade em fazer e manter a pega, dor materna ao amamentar, feridas mamárias centrais, ordenha ineficiente (bebê sempre com fome), diminuição da abertura de boca, e dificuldade no ganho de peso, consequentemente gerando reinternações ou  prolongando a internação hospitalar.

“Vale lembrar que nem sempre a dificuldade com o aleitamento materno é proveniente de alteração no frênulo lingual, cada caso deve ser avaliado em sua particularidade sem diagnósticos errôneos ou precipitado”, alertam.

Como é feito o teste da linguinha?

A avaliação do frênulo lingual é realizada de maneira não invasiva, não tem contraindicações e possibilita o diagnóstico e intervenção precoce por equipe multidisciplinar nos casos de anquiloglossia. Segundo as fonoaudiólogas, a aplicação da triagem do Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua para Bebês é realizada ainda na maternidade e CTI neonatal nos primeiros dias de vida.

“Crianças que atingem escore sete ou mais necessitam de indicação de liberação da mobilidade de língua, devido à restrição importante nos movimentos e nas funções da língua. Já os bebês com escores entre zero a quatro não apresentam alterações do frênulo lingual”, afirmam.

Caso o escore obtido seja entre cinco e seis o bebê deverá ser acompanhado e reavaliado no primeiro mês de vida (20 a 30 dias) onde será analisada a anatomofunção, a sucção não-nutritiva e sucção nutritiva do bebê, conforme esclarecem as especialistas.

“Estando a amamentação prejudicada pela anquiloglossia, escore 13 ou mais, o bebê deve ser encaminhado para liberação da mobilidade de língua”, explicam.

Como é feito o procedimento para correção dos movimentos da língua?

Constatada a presença de anquiloglossia e se houver necessidade de intervenção cirúrgica, o tratamento a ser realizado consiste em uma pequena cirurgia, dependendo de cada caso, como frenotomia ou frenectomia.

“Nos bebês, a terapia fonoaudiológica pós-cirúrgica pode ser substituída pelo aleitamento materno que possibilita a realização e reabilitação dos movimentos de língua de maneira eficiente e contribuindo para a cicatrização adequada”, pontuam as fonoaudiólogas. Já em crianças maiores ou adultos se faz necessário a realização de terapia fonoaudiológica pós-cirúrgica com vistas a evitar complicações cicatriciais e adequar a função, mobilidade, força e resistência da língua e estruturas adjacentes.

O que acontece se o problema for identificado apenas na fase adulta?

Quando a identificação da alteração do frênulo lingual acontece de maneira tardia pode vir acompanhado de problemas relacionados a fala, como distorções, fala travada, e adaptações, principalmente na produção de sons como /r/, /s/ e /z/. Conforme Laura e Maria, há problemas de respiração, alimentação prejudicada devido ao predomínio de movimentos mastigatórios de amassamento e dificuldade na lateralização do bolo alimentar, deglutição adaptada, alterações na posição dos dentes e oclusão em virtude da postura inadequada de língua durante o repouso.

“Bem como no crescimento mandibular e no desempenho das funções orofaciais, além de interferência em atividades de caráter social”, afirmam as profissionais.

Fonte/Reprodução: https://diariodamanha.com/noticias/teste-da-linguinha-prevencao-para-mamar-falar-e-viver-melhor/

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