Roubo de gado cresce mais de 30% na comparação com o ano passado em Porto Alegre

Além do prejuízo, criadores denunciam a crueldade com que os animais são abatidos. Chefe da polícia do Rio Grande do Sul diz que crime migrou para a Região Metropolitana em razão da força-tarefa realizada no interior.

Cresce o roubo de gado em Porto Alegre

Cresce o roubo de gado em Porto Alegre

O roubo de gado aumentou 31% na comparação entre os nove primeiros meses de 2016 e 2017 em Porto Alegre. Foram registrados 61 casos entre janeiro e setembro do ano passado, e 80 no mesmo período deste ano.

Além do prejuízo financeiro, os criadores denunciam a crueldade com que os animais são abatidos. Nos últimos cinco dias, sete animais foram abatidos em uma fazenda localizada ao lado da BR-290 (freeway), na capital gaúcha. Um dos bois foi morto com um tiro na cabeça e o dono do gado pensa em desistir do negócio.

“Desde o começo do ano dá um total de umas 40 reses já. Está muito difícil, dá vontade de abandonar”, diz o pecuarista, que prefere não ser identificado.

Os ladrões costumam atacar à noite e, na maioria das vezes, chegam pelo Rio Gravataí. Um capataz que não quis ser identificado conta que os criminosos agem com crueldade.

“Eles dão tiro no gado. Ficam cuidando quando não estamos no campo aí e dão tiro até derrubar o gado. Tem boi até que está com a marca do chumbo no pescoço. Teve uma vaca que mataram essa semana aqui debaixo da ponte da freeway, ataram a vaca no palanque, bem curtinho, e mataram com marreta”, afirma.

Conforme os criadores, gados são mortos com crueldade pelos criminosos em Porto Alegre (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)

Conforme os criadores, gados são mortos com crueldade pelos criminosos em Porto Alegre (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)

Outro criador que teve a identidade mantida em sigilo, que tem campo no limite com Alvorada, diz que foi atacado cinco vezes em 2017. Além de perder oito animais, recebeu ameaças de morte dos bandidos.

“Fiquei muito temeroso, porque é a vida da gente. A gente vive disso e hoje convive com roubo, com assalto, e com esse pessoal dirigindo essas palavras de que vão matar a gente, porque eles estão roubando da gente”, lamenta.

O governo do estado anunciou a criação de cinco delegacias especializadas para combater o abigeato, depois de uma série de reportagens da RBS TV. Contudo, ainda não há prazo para as delegacias começaram a funcionar.

Por enquanto, as investigações são feitas por uma força-tarefa que atua no estado, e que também deverá apurar crimes na Região Metropolitana.

“A força-tarefa do abigeato tinha uma atuação mais direcionada para o interior do estado, o que acabou fazendo a migração dos delitos para Porto Alegre e Região Metropolitana. Estamos atentos a essa migração do crime e pretendemos dar uma resposta em breve”, garante o chefe da Polícia Civil, delegado Emerson Wendt.

Fonte/Reprodução: G1RS

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