Novo titular, Darlan traça metas com “calma e paciência” e usa perfil para se firmar no Grêmio

Volante fala de dividir bons momentos ao lado de companheiros da base e cita ex-meia Alex como referência

Por Eduardo Moura* — Porto Alegre

As últimas boas atuações do Grêmio tivram sustentação em um novo meio-campo. Entre os protagonistas da base, a maior novidade foi Darlan, titular nas vitórias sobre Fluminense, Ceará e Cuiabá, embora o técnico Renato Portaluppi alerta que há “jogos e jogos”. Centrado e sem pressa, o jovem vai riscando aos poucos as metas para o atribulado 2020.

Darlan conversou com o ge para esmiular o bom momento e falar sobre o crescimento na atual temporada. São 21 jogos disputados, sendo 16 como titular, já bem acima dos 16 jogados em todo 2019. Tudo isso vem com “calma e paciência”, palavras que não se furta de repetir. E com uma seridade no trabalho destacada nos bastidores.

Ano passado foi um ano de pegar experiência participando das viagens. Tive oportunidades também, mas esse ano tenho certeza que eu me sinto mais pronto.
— Darlan
Darlan em entrevista ao ge — Foto: Reprodução
Darlan em entrevista ao ge — Foto: Reprodução

Confira o papo com Darlan

ge: Você tem jogado, é titular agora, já teve um período de sequência antes. Dá para dizer que esse ano é o de afirmação no profissional?

Darlan: Está sendo um ano cheio de acontecimentos, pela questão da pandemia, parada. Depois a gente voltou e conseguiu se estabilizar muito bem dentro do clube nessa questão de treinamentos. Eu procurei me preparar bastante para essa volta. Eu tive uma sequência antes desses jogos que estou jogando agora. Tenho certeza que eu assim como todos que recebem esses momentos deram conta do recado. Então comigo está sendo dessa forma, tive dois jogos com sequência e feliz pelo resultado que foi buscado, isso é muito importante, com certeza uma sequência para o atleta é muito bom. A gente tem que estar sempre pronto, o professor Renato sempre nos dá as oportunidades. E quando chega esses momentos a gente tem que agarrar, não dá para deixar passar.

O que é esse “aproveitar a oportunidade”? É fazer o que o Renato pede? Se sentir bem no campo mesmo que não se destaque individualmente?

Eu vejo de uma forma que o professor Renato brinca com a gente, com os mais velhos também, que a camiseta vai chegar. Ele não avisa a hora e momento. Então a gente tem que estar pronto, porque essas oportunidades são grandes. Vejo que agarrar a oportunidade é a gente desfrutar, deixar uma boa lembrança dentro de campo, uma boa imagem, que isso é importante. O atleta precisa dar resultado, dar coisas positivas, agregar. Eu venho me preparando para desfrutar desses momentos que venho tendo. Isso é importante para quem está chegando agora, que vem da base. E a gente tem a total confiança dos caras mais experientes do grupo, da comissão e do próprio Renato que nos deixa muito bem para entrar em campo e fazer as coisas da melhor forma.

Maurício Saraiva analisa classificação do Grêmio e a titularidade de Darlan
Maurício Saraiva analisa classificação do Grêmio e a titularidade de Darlan

Vocês sabem com quanto tem de antecedência quando vão receber a camisa? Renato conversa um tempo antes, avisa vocês?

Professor é um cara que nos passa confiança muito grande. Isso nos da confiança grande, ficamos leves. E também tem ajuda dos caras mais experientes, como o Maicon, Geromel, Kannemann, Marcelo Oliveira, que me ajudou bastante na minha chegada no profissional. É importante ter essas pessoas perto, nos preparando para quando termos esses minutos, nos faz a gente desfrutar com mais tranquilidade. Muitas vezes ficamos ansiosos para entrar, para ter minutagem. Mas com o Renato faz com todos que chegam, ele sabe a hora certa, o momento de pôr, ele sabe quando a gente está pronto. Comigo está sendo dessa forma, ele sabe a hora que tenho jogar, os minutos que tenho que ter. Fico feliz por estar vivendo esse momento e aproveitar essas oportunidades.

Muita gente do Grêmio elogia teu profissionalismo. Quais atitudes fazem as pessoas ter essa boa impressão?

Acho que é do meu perfil. Sou um cara que trabalha bastante, vejo muito que as oportunidades aparecem quando estamos trabalhando, quando estamos fazendo as coisas certas. Desde quando eu comecei a ter oportunidade de frequentar o profissional, fui descoberto no transição pelo Renato, coloquei na cabeça que era meu momento. Minha oportunidade de me afirmar no grupo, vivendo um sonho. Momentos que eu não estava treinando, que eu não estava jogando, eu coloquei na minha cabeça que meu jogo era o treinamento, tinha que fazer algo diferente no dia a dia, me preparando ali para que quando esses momentos aparecessem eu estivesse pronto.

Está sendo da forma que eu planejei. Ter paciência, humildade, uma postura de trabalhar cada vez mais, porque as coisas acontecem para quem trabalha. Esse perfil que muitos falam, brincam até, os guris mais próximos falam que eu sou correto. Mas fico feliz por ter esse reconhecimento de grandes pessoas, que tem uma história no futebol. O Renato sabe disso, que quando a gente busca fazer o certo, ele é um cara que tem esse perfil, que trabalha muito, é vencedor, e com certeza a gente aprende muito com eles que estão ali há mais tempo.

Eu coloquei na minha cabeça que meu jogo era o treinamento, tinha que fazer algo diferente no dia a dia, me preparando ali para que quando esses momentos aparecessem eu estivesse pronto.
— Darlan
Darlan foi titular contra o Cuiabá — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio
Darlan foi titular contra o Cuiabá — Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio

Encarar a carreira com essa seriedade pode ser um diferencial na tua carreira?

Com certeza, vejo que temos um perfil de atleta para estar sempre preparado, sempre se preparando, independente das situações. Todos temos momentos bons e momentos ruins. Estar sempre se alimentando de coisas positivas. Eu procuro seguir esse perfil. Procuro ler bastante caras que são vencedores, que se preparam para os momentos que tem as oportunidades. Sigo essa linha de ser um cara que busca se preparar. Tenho certeza que vai ajudar muito na minha carreira e está me ajudando por eu ter foco, paciência para saber que na hora certa as coisas acontecem. Eu procuro seguir essa linha que tenho certeza que vai me ajudar na carreira.

Você citou agora referências. Quem procura seguir?

Gosto muito do Alex, que jogava no Coritiba, tem uma história bacana no futebol. São caras que tento seguir o perfil. Claro que tenho minha essência, meu modo de fazer as coisas, mas um pouco de cada atleta que buscamos aprender, buscamos experiência, isso agrega na caminhada. Busco essa linha, que citei o Alex, é uma referência pra mim. Não consegui ver muito ele jogar, mas o perfil dele mais pro final da carreira me chamou atenção. Procuro seguir esses perfis de trabalhar bastante e uma forma de ser vencedora.

O esporte, o futebol, tem papel fundamental na sua vida?

Eu vejo que o esporte na minha vida é tudo. Sou de São Borja, vim do interior. Pra mim foi algo que as coisas aconteceram muito rápido, desde a minha subida no profissional, não esperava que fosse dessa forma. O futebol é algo que, não vou dizer que é a única coisa que sei fazer, mas é onde eu vivo praticamente. Entao tenho que valorizar muito, valorizar o Grêmio, pelas oportunidades que me deu, desde a minha chegada com 11 anos aqui. Pra mim o futebol é algo que valorizo muito, minha família valoriza, que com certeza vai me trazer grandes conquistas, tanto profissionais como pessoais. Futebol é algo que mexe com os demais, não só pra mim, mas para todos meninos que quer chegar em um grande time. E sou abençoado por poder desfrutar do meu sonho em time que é do coração, que é o Grêmio.

Darlan, volante do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio
Darlan, volante do Grêmio — Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Você e o Matheus nesse dupla, não são caras do típico volantes, fortes e marcadores. Tem algum segredo para ter encaixado tão bem?

Nossa essência de jogo é parecida. Gostamos de ter a posse de bola, controlar o jogo, sempre admirei o Matheus jogando, é uma referência pra mim. Ele é praticamente da minha idade, um ano mais velho, porém já tem experiência, já foi para seleção brasileira, tem um futebol bonito de se ver. Quando eu não vinha jogando, eu observava ele jogando, aprendo muito com ele, então está sendo especial desfrutar do jogo com ele. Pra mim é muito bom jogar com o Matheus, com Lucas, Thaciano. É importante termos uma conexão, e vem dando certo essa forma que jogamos. Isso está sendo importante para a crescente que estamos tendo.

É especial chegar no sucesso ao lado de caras que participaram da caminhada inteira? Você e o Jean por exemplo estão juntos desde a Escola de Formação.

Com certeza, é especial podermos viver isso juntos. A gente que começou cedo, na escolinha, eu tenho uma conexão mais próxima com o Jean, que começamos juntos nos sub-11. Depois o Matheus chegou no sub-15, saiu, voltou, o Pepê também, então é muito bom isso. Estamos crescendo juntos, sabemos o perfil de cada um, é interessante viver isso juntos. Mostra que é possível chegar juntos, conquistar juntos, mostra o trabalho da base muito bom. Isso está sendo o resultado de muito trabalho e paciência.

Grêmio decide vaga na semifinal da Copa do Brasil no embalo dos jogadores formados na base
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Nas conquistas anteriores o Grêmio teve jogadores da base. Pode formar uma nova geração de vencedores, estão indo para uma semifinal, tem Libertadores?

Isso é importante. Conta muito no currículo para trajetória do jogador. Temos que ter os pés no chão, tem muita coisa diferente, estamos começando, tem muitos jogos, muitas competições, jogos decisivos. É ter humildade e saber que tem, muita coisa para ganhar, para trabalhar, ter esse espírito de vencedor, é muito bom ser lembrado como vencedor. Tem muitos exemplos aí no clube hoje, como Maicon, caras assim tem uma imagem muito forte, por ser vencedores e temos que seguir esse caminho.

Você citou já na entrevista “calma e paciência”. De onde vem essa percepção?

Tenho isso desde a base, em momento que jogava, momentos na transição que eu jogava e não jogava. Fui aprendendo com isso. Muitas vezes eu achava que não ia jogar e estava lá. Então foi ficando natural, aprendi muito na base, nos prepara muito. A comissão do transição nos passa esse aprendizado. Depois que cheguei no profissional passei a aprender mais com o Renato, muitas vezes ele põe, outras não põe, mas ele sabe a hora certa da gente jogar. A camiseta chega. Desde que comecei a ouvir isso eu comecei a me preparar, independente do momento, uma hora vai chegar minha chance. Futebol é muito rápido e a oportunidade vem e tem que agarrar ela, se não passa.

A sequência de vitórias vem depois do Maicon falar lá em Santos e daquele episódio contra o Bragantino. A gente sabe a qualidade dele dentro de campo. E o papel dele fora?

Falar do Maicon é falar de um ídolo, sempre cito e exalto ele. Maicon é um cara que procurei assistir muito desde a época de base. É um cara que tem um estilo de jogo parecido, que eu gosto muito de ver jogar. Quando chegamos ali, fica “pô to com os caras aqui, o Maicon, Geromel”, esses caras, a gente fica meio tímido, acanhado. É normal, não só no futebol. Aí o cara vê esses jogadores tipo o Maicon vir, conversar, dar risada, dá uma tranquilidade. Já admirava ele como jogador, aí quando conheci a pessoa dele fiquei mais fã ainda. Por ele ser experiente, passar essa tranquilidade pra gente, dá a liberdade. Isso tem muito no grupo aqui, o Renato que nos dá essa liberdade. Então é referência para todos que chegam aqui.

Quando chegou no profissional teve dificuldade para entender o que o Renato pede do volante?

Tem mudança na questão de intensidade. Vejo que do profissional para a base é um jogo mais intenso, o detalhe faz toda diferença, então precisamos estar sempre atentos na questão de marcação. Acompanhar o adversário, ter atenção ao espaço, nas coberturas, então isso venho aprendendo aos poucos. Ano passado aprendi muito com o Renato, ele nos ensina esses detalhes que fazem a diferença nas competições. A questão da intensidade, da marcação de acompanhar, esses detalhes foi onde eu vi que teria que aprender e hoje eu procuro aprender bastante com a comissão para não dar bobeira nos jogos.

Tua estatística de desarme no últimos jogos é muito boa. Tem algum segredo para isso? Mudou algo?

Vejo que isso é muito agregado com o grupo, tenho que exaltar meus companheiros que me ajudam a marcar, saber se posicionar, então como eu falei antes, ter atenção nos detalhes, isso conta muito. Principalmente para gente que joga no meio-campo, eu e Matheus temos uma essÊncia de jogo de ter posse, porém temos que ter atenção na marcação, que isso conta muito para o rendimento da equipe. É manter os pés no chão e saber que isso conta muito e vai agregar muito para os próximos jogos.

E dá um valor especial quando vai na frente pressionar, o cara erra e sai o gol, como foi contra o Ceará?

Com certeza. É algo que às vezes quando tu rouba uma bola, tem esse foco de pressionar em cima, ajuda muito. Mostra que tem que estar melhorando sempre em todas as áreas, na marcação, posse de bola, evitar erros de passe, então é com minutagem e experiência a gente vai aprendendo esses detalhes que fazem muita diferença.

Gol do Grêmio! Luiz Fernando cruza, e Pepê chega para completar, aos 32' do 1º Tempo
Gol do Grêmio! Luiz Fernando cruza, e Pepê chega para completar, aos 32′ do 1º Tempo

Como você projeta o fim de ano e a reta final de temporada?

Minhas metas vão se cumprindo aos poucos. Claro que tem muitos ainda, mas meu foco é ganhar meu espaço no grupo, me firmar como profissional. Estou no meu segundo ano, minhas metas são essas, as coisas estão acontecendo como eu queria, na calma, com paciência. É aproveitar esses momentos e com certeza vai ser lembrado no ano com vitórias. Vou procurar dar meu melhor para ajudar o grupo nessas competições que estão chegando, projeto esse ano como vencedor pelo que estamos passando. Nosso grupo merece, trabalhamos bastante. Meu maior foco é me firmar cada vez dentro do Grêmio.

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