Carazinhense cria sistema que permite utilização de água em motor de carro

Criativo e engenhoso, Anselmo Souza não cansa de inventar. O Fusca 1967 de sua propriedade teve desempenho aumentado depois da modificação

Por: Mara Steffens

Anselmo Souza (69) é conhecido por ser um incansável desportista. Jamais transparece a idade diante de tanta disposição para correr e pedalar. Quem o conhece sabe que sua coleção de troféus e medalhas ultrapassa a marca de 1000 itens.

Mas não é somente no campo esportivo que ele se destaca. Mecânico desde a juventude, proprietário de uma das oficinas mais antigas da cidade – criada em 1970 – não cansa também de criar. Ele utiliza no dia a dia um Fusca azul 1967. O curioso é que o motor do veículo também leva água, além da gasolina. Isso porque um sistema criado por Souza permite a transformação do H2O em hidrogênio. “A transformação da água resulta em hidrogênio líquido, usado muito em foguetes que vão para a Lua, ou para Marte. Criando um gerador de alta potência, tirando o oxigênio da água, consigo aumentar a octanagem (índice de resistência à detonação de combustíveis usados em motores) da gasolina em 30% a 40% dentro do cilindro”, explica.

Para isso, Souza colocou um compartimento especial, atrás do banco traseiro, próximo ao motor. “Neste local está o gerador com quase 20 metros de fio especial, de aço, ligado a duas placas que fazem a quebra do oxigênio. Num reservatório mais acima, está o hidrogênio que vai para o carburador, misturando-se a gasolina. No entanto, isto tem um limite. Uma válvula controla a medida exata. Quando ela é suficiente, a válvula desliga a corrente de energia”, detalha.

O mecânico explica que utiliza o sistema apenas quando percorre longas distâncias. “Dentro da cidade não utilizo porque é algo muito perigoso. Pude comprovar isso durante os testes, dentro da oficina, junto com meu filho Alexandre Granville Souza. Não aconselho outras pessoas a adotarem isto e também não farei para ninguém que deseja, pois pode representar um enorme risco”, alerta.

Por fim, conforme ele demonstra, a união entre hidrogênio e gasolina resulta em um maior desempenho do motor e um custo menor com o combustível. “Ele tem mais forte na subida, tem mais potência. O motor não “cria” carvão e pode-se percorrer até 20 Km com um litro”, enaltece.

A água utilizada não é comum. Não pode ser aquela que sai das torneiras, precisa ser pura para que o resultado também seja um hidrogênio puro. “Estou sempre pensando em novas ideias. As vezes não durmo pensando em possibilidades. Acho que enquanto eu viver sempre vão surgir coisas novas”, cita ele.

Mas engana-se quem pensa que a criação de Souza para seu fusca para por aí. Ele aciona o motor através de controle remoto. “Meu carro é um dos primeiros da linha 1.300 da Volkswagen do Brasil, onde inclusive fiz curso. Fiz com que ele ficasse eletrônico. Posso acionar com a chave ou com o controle”, completa.

Mecânico desde a década de 1960, Souza reconhece que é preciso evoluir. “Não posso ser um ‘mecânico dinossauro’. Sempre busquei coisas novas, me atualizar porque não se pode parar de acompanhar tudo para se manter na profissão”, finaliza.

Em breve, você poderá acompanhar esta reportagem em vídeo.

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Fonte/Reprodução: DiárioDaManhã

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